A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma condição hormonal comum que afeta 5-17% das mulheres em idade fértil. A doença provoca alterações hormonais que podem causar diversos sintomas e impactar negativamente a qualidade de vida. Embora a SOP não tenha cura, o tratamento adequado permite controlar os sintomas.
É importante lembrar que ter cistos no ovário não significa, necessariamente, ter a síndrome dos ovários policísticos.
Os ovários podem apresentar pequenos cistos por diversos motivos, e isso pode fazer parte de um funcionamento normal do corpo. A síndrome é um conjunto de sinais, sintomas e alterações hormonais — não é definida apenas pela presença de cistos no ultrassom.
Caso possua diagnóstico ou suspeita de SOP, agende uma consulta com uma especialista na área, como eu, para avaliação e tratamento individualizados.

1. O que acontece na SOP?
Na SOP, o desequilíbrio hormonal se inicia desde o hipotálamo até os ovários, interferindo no processo de ovulação. A ovulação é o momento em que um óvulo é liberado pelo ovário, o que pode levar a gestação caso haja fecundação. O fato de ter alteração na pulsatilidade do hormônio liberado pelo hipotálamo (GnRH), com aumento de frequência e amplitude, leva a estimulação da produção de hormônio luteinizante pela hipófise e assim estimula as células ovarianas a produzir hormônios masculinos (androgênios) em excesso levando a ausência de ovulação (anovulação crônica).
Além disso, o estado de resistência insulínica (hiperinsulinemia) causa a redução de uma proteína importante ligadora de hormônios sexuais (SHBG), o que aumenta a fração livre desses hormônios androgênicos, principalmente a testosterona. Ocorre também uma foliculogênese anormal resultando em um aumento global de folículos ovarianos (podendo ter excesso de folículos na ultrassonografia).
É importante lembrar: apenas a presença de ovários policísticos à ultrassonografia não é suficiente para o diagnóstico da SOP. O diagnóstico se baseia em uma avaliação clínica completa, que considera os sintomas, exame físico, exames laboratoriais e de imagem.
2. Principais sintomas da SOP:
- Irregularidade menstrual: ciclos menstruais infrequentes, atrasos ou, em alguns casos, ausência de menstruação por mais de 3 meses (amenorreia).
- Aumento de pelos (hirsutismo): crescimento excessivo de pelos em áreas como rosto, mama, braço e costas.
- Acne e aumento da oleosidade da pele.
- Ganho de peso e dificuldade para emagrecer: especialmente na região abdominal, e está frequentemente associado à resistência à insulina.
- Queda de cabelo (alopécia): afinamento dos fios e redução na quantidade de cabelo.
- Dificuldade para engravidar (70% dos casos): a anovulação crônica pode causar infertilidade.
- Abortamento por deficiência de fase lútea.
- Alterações de humor: ansiedade e depressão podem ser mais frequentes, muitas vezes ligadas às alterações hormonais e aos sintomas estéticos.

3. Quais são os riscos a longo prazo da SOP, caso não haja acompanhamento e tratamento correto?
- Diabetes mellitus
- Síndrome metabólica: sobrepeso/obesidade
- Doenças cardiovasculares
- Infertilidade
- Câncer de endométrio

4. Como é feito o diagnóstico da SOP?
A SOP é um diagnóstico de exclusão, primeiro devemos descartar outras causas de anovulação como, doenças da tireóide, excesso de prolactina, hiperplasia adrenal congênita, amenorréia hipotalâmica e insuficiência ovariana prematura. Um fato importante é que a ultrassonografia não pode ser usada como critério diagnóstico até 8 anos após a primeira menstruação.
O diagnóstico é feito pelos critérios de Rotterdam, necessita da presença de 2 das 3 manifestações abaixo:
- Anovulação crônica – amenorreia, irregularidade menstrual
- Sinais de excesso de hormônios masculinos: visíveis (acne, pelos) ou confirmados por exames de sangue.
- Ovários policísticos à ultrassonografia e/ou AMH aumentado
5. Como é feito o tratamento da SOP?
O tratamento da SOP é individualizado, focado no controle dos sintomas e na prevenção de complicações a longo prazo.
Mudanças no estilo de vida
- Uma das partes mais importantes do tratamento é a mudança do estilo de vida. Isso significa cuidar melhor da alimentação, praticar atividade física regularmente, dormir bem e reduzir o estresse.
- Essas mudanças ajudam o corpo a usar melhor a insulina, equilibram os hormônios e podem regular o ciclo menstrual. Além disso, auxiliam no controle do peso, diminuem o risco de diabetes e melhoram a autoestima.
- Alimentação saudável: uma dieta equilibrada, com baixo consumo de alimentos processados e açúcares, pode ajudar a controlar a resistência insulínica.
- Exercícios físicos: a prática regular de atividade física (pelo menos 180 min por semana) melhora a sensibilidade à insulina, reduz o risco cardiovascular e ajuda a manter o peso adequado, além de controlar estresse e ansiedade.

Medicamentos
- Contraceptivos orais: para regular o ciclo menstrual e reduzir a produção de androgênios, melhorando a acne e o excesso de pelos.
- Metformina: ajuda a melhorar o padrão ovulatório e a resistência insulínica.
- Outros medicamentos antiandrogênicos: dependendo dos sintomas, podem ser indicados para tratar a acne, o excesso de pelos ou outras questões.
Acompanhamento multidisciplinar
- O apoio de nutricionistas, educadores físicos e psicólogos pode ser fundamental para o bem-estar físico e emocional.
- O tratamento isolado, focado apenas no ciclo menstrual ou na parte estética, não aborda a complexidade da síndrome.
- O cuidado multidisciplinar permite uma abordagem global, individualizada e preventiva, promovendo não apenas controle dos sintomas, mas também saúde a longo prazo.

6. Perguntas frequentes no consultório:
SOP é a mesma coisa que ter cistos nos ovários?
Não. Embora a SOP possa causar cistos nos ovários, a simples presença de cistos não significa que a pessoa tenha a síndrome dos ovários policísticos. A SOP é uma condição hormonal complexa com outros sintomas associados. Um ovário normal produz folículos mensalmente, isso não significa que ter cistos ovarianos sejam sinônimo de ter a síndrome.
Posso engravidar com SOP?
Sim. A dificuldade para engravidar/infertilidade é uma complicação possível, mas não uma regra. Com o tratamento adequado para regular a ovulação, muitas mulheres com SOP conseguem engravidar.
É possível curar a SOP?
A SOP é uma condição crônica, o que significa que não tem cura definitiva, porém tem tratamento e controle da doença. É possível gerenciar os sintomas e viver com qualidade através do tratamento adequado e mudanças no estilo de vida.
Se você suspeita que tem SOP, é fundamental procurar um médico ginecologista especialista em ginecologia endócrina, como eu, para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento individualizado. A informação e o autocuidado são seus maiores aliados.
É possível ter SOP com menstruação regular?
Sim, existem 4 subtipos de síndrome dos ovários policísticos, essa paciente pode ter uma SOP fenótipo C.
Existem alguns subtipos da doença, são eles:
- Fenótipo A: irregularidade menstrual/ausência de menstruação + ovários policísticos na ultrassonografia + excesso de hormônios masculinos (clínica ou laboratorialmente)
- Fenótipo B: irregularidade menstrual/ausência de menstruação + excesso de hormônios masculinos (clínica ou laboratorialmente)
- Fenótipo C: excesso de hormônios masculinos (clínica ou laboratorialmente) + ovários policísticos
- Fenótipo D: ovários policísticos + irregularidade menstrual/ausência de menstruação
Caso você possua algum sintoma relatado acima, ou mesmo já tem diagnóstico prévio de síndrome dos ovários policísticos, marque uma consulta com uma ginecologista especialista nessa área. A SOP não é igual para todas, e o tratamento também não deve ser.
Cada mulher com SOP é diferente. Com acompanhamento adequado e hábitos saudáveis, é possível controlar os sintomas e ter qualidade de vida.
É possível retomar o controle do seu corpo, do seu ciclo e da sua saúde — com ciência, acolhimento e acompanhamento médico adequado.
Agende sua consulta com a especialista e dê o primeiro passo para entender melhor sua SOP e cuidar de você com a atenção que merece.